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Mais Va’a e menos “MIMIMI”

Por muitos anos tenho observado que a expressão “ESPIRITO VA’A” é frequentemente usada em alguns artigos ou matérias como um sentimento ou estado de espírito de uma modalidade esportiva, quando na verdade não tem necessariamente relação com ela. As publicações associam este sentimento a algo sagrado e inalterável, no entanto esquecem que essa ancestralidade não está ligada ao esporte, mas sim à cultura, tradições, estilo de vida e indivíduos que edificaram este estado espiritual há muito tempo.

FIGURA ILUSTRATIVA

Inicialmente, é necessário compreender que qualquer estado de espírito está associado ao indivíduo e suas ações, não a uma categoria específica. Pretendo fazer uma referência ao surf, uma modalidade milenar que se conecta com diversos outros esportes, como a canoa, com um sentimento de ALOHA! Inicialmente, o surf era um esporte praticado por reis e, apenas por isso, já exalava um elevado grau de controle espiritual. Acreditava-se que o poder espiritual de um monarca era quase comparado ao de um deus. Com o passar dos anos, o surf foi ganhando popularidade e, ano após ano, as competições se tornaram mais acirradas, os prêmios mais generosos e o esporte evoluiu de uma condição de amadorismo para um mercado de milhões.

O SURF EM SUA ESSÊNCIA

Atualmente, o surf é uma modalidade olímpica, com atletas cada vez mais bem pagos competindo ferozmente por uma posição no circuito mundial. Então podemos dizer que o surf também perdeu o ESPIRITO ALOHA? E, claro, não há como negar: o sentimento do surf é imutável. Todos que desceram uma onda e sentiram o vento no rosto experimentaram uma liberdade única que só o surf oferece. Sabe-se que o ESPÍRITO ALOHA está presente, intocável. Então, o que está acontecendo? Como mencionei anteriormente, é preciso compreender essa conexão entre o espiritual e o material.

ÍDOLOS NO BRASIL E MUNDO A FORA NOSSOS ATLETAS HOJE SÃO VERDADEIRAS MAQUINAS DE COMPETIR

Para um surfista de final de semana que vive pelo free surf, o espírito permanece intacto. No entanto, para aquele que vê potencial competitivo e comercial em sua prática, a perspectiva já começa a mudar. Sabe por quê? Pois, a partir desse instante, ele passa a ver cada onda como um treino, cada pessoa no mar como um obstáculo, cada julgamento como injusto e cada escola de surf como concorrente. Portanto, o que mudou não foi o surf, mas sim a pessoa. Por isso vejo muita demagogia e “MIMIMI” nessas discussões sobre o “ESPÍRITO VA’A”.

Não precisamos desse jargão para cuidar uns dos outros, respeitar uns aos outros e entender que não somos dignos de um estado de espírito vivido por seres humanos que nem de longe se assemelham a nós e com os quais não temos uma conexão histórica propriamente dita.

FIGURA ILUSTRATIVA QUE FAZ UMA ALUSĀO AOS POLINÉSIOS

Nosso país carece de cultura oceânica e, ocasionalmente, realiza um sequestro cultural de outros povos e nações, transformando isso em notoriedade. Possuímos uma forte conexão com os indígenas que navegavam pelos rios do Amazonas em suas canoas. Nossa rica cultura de canoa caiçara por exemplo é, de fato, uma de nossas referências e qualquer coisa além disso é mera fantasia. A verdade é que a canoa havaiana se tornou um grande negócio. Novos clubes estão sendo formados, diversas competições focadas no número de inscritos, fabricantes vendendo canoas em grandes quantidades para todo o Brasil, atletas que se expoem nas redes sociais mostrando o “show”, e isso nada tem a ver com o “ESPÍRITO VA’A”, mas sim com crescimento e expansão da modalidade, que é gigantesco sob todos os aspectos. Precisamos ser mais realistas nesse aspecto e compreender que o estado de espírito que cultivamos em nossas vidas e que transmitimos aos outros reflete como nos comportamos em relação às pessoas, como tratamos os menos favorecidos, a benevolência que demonstramos ao próximo e como percebemos e cuidamos da natureza. Esse estado de espírito é o que compartilhamos com aqueles que nos cercam, em nossas bases e em nossa família. Aí sim passaremos a ser responsabilizados pelo nosso estado de espírito, em vez de nos escondermos atrás de algo que nunca nos pertenceu.

CANOA CAIÇARA

Que o Va’a continue a prosperar, que as pessoas se desenvolvam como indivíduos, que aprendamos a agir mais do que falar, pois a palavra instrui, mas o exemplo arrasta!

Quanto ao esporte, que seja sempre pautado pelo “fair play”, independente de premiações ou disputas e para isso basta recorrer ao bom senso, ao caráter e às boas condutas individuais e coletivas.

Alex Araujo
Alex Araujo
Alex Araújo é um dos pioneiros em criação de conteúdos esportivos na internet. Atua neste mercado desde 1996 como editor de renomados sites como CAMERASURF, SURF-REPORTER e nas revistas PARAFINA MAG e SUP MAG, e já colaborou com artigos nas Revistas Fluir, Inside,Hardcore e no Jornal Drop.
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